Sobram postos de trabalho e falta capacitação na TI
Estimativas mostram que o Brasil tem hoje mais de 30.000 vagas em aberto na área de Tecnologia da Informação (TI). No Rio Grande do Sul as oportunidades chegam próximo a duas mil sem candidatos qualificados. No estado, somados todos os 154 cursos de graduação, apenas 1.300 jovens se formam por ano. A área de TI está sempre à procura de novos profissionais, enquanto inúmeros universitários esperam por oportunidades. A dificuldade para suprir essas vagas, está, entre outras razões, na má distribuição dos alunos nos cursos, bem como no fato das universidades não acompanharem nos seus currículos o desenvolvimento tecnológico, diz o presidente do Conselho das Entidades de Tecnologia da Informação (CETI) e da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, regional do Rio Grande do Sul (ASSESPRO-RS), Reges Bronzatti. Ele afirma ainda, que a crise de mão de obra vivida pelo setor tem ligação com as universidades e com a formação básica dos alunos egressos do ensino médio e pode se agravar ainda mais nos próximos cinco anos. “Dos seis milhões de estudantes que cursam graduação no Brasil, um terço fazem apenas três cursos superiores: Direito, Administração e Pedagogia. Com esta distribuição teremos ou continuaremos a ter ainda muitos problemas nos próximos anos”, enfatiza Bronzatti.
Área que exige conhecimento e atualização- O fato de trabalhar com sistemas que evoluem rapidamente fazem com que a TI dependa de profissionais capazes de investir em sua formação e aprendizado contínuo. As empresas contratam profissionais, mas com apenas o conhecimento da universidade, o colaborador não consegue suprir as necessidades da organização. Por vezes, as instituições de ensino são acusadas de oferecer apenas o básico, deixando para os centros especializados a missão de capacitar nas linguagens de programação, bancos de dados, sistemas de segurança e criação de projetos. É importante conhecer as expectativas das empresas e suas exigências antes de se candidatar, além, é claro, de manter-se atualizado.
“A grande massa de alunos que entram nas universidades, na etapa de graduação, ainda tem problemas sérios de conhecimento de língua portuguesa, um conhecimento matemático deficitário e pouca vocação para lógica e raciocínio dedutivo. Isso dificulta a carreira de desenvolvedores de software que precisam de habilidades apuradas de pensamento sistêmico. A Universidade, por várias vezes, precisa nivelar por baixo o seu ensino para que alunos se mantenham no curso e não desistam. Isso dificulta com que estágios avançados de maturidade profissional sejam atingidos ainda dentro da universidade. Essa conta aparece depois da formatura e as empresas precisam complementar esta formação.”
Emprego certo - Com essa brecha dos cursos de graduação, os centros de capacitação ganham espaço por oferecerem conhecimentos específicos da área de TI. As empresas investem no desenvolvimento de formações tecnológicas. Simone Kosmalski, diretora da T@rgetTrust, que recentemente esteve em Dubai participando da feira Gitex Technology Week em busca de diferenciais para o ensino dos profissionais da área, destaca a importância dos centros especializados e do trabalho realizado. “O mais importante é o conhecimento estar sincronizado constantemente com as melhores práticas e evoluções do mercado, pois em tecnologia a evolução é constante, surgindo a todo o momento novos softwares, frameworks, padrões de desenvolvimento.”, diz Simone, que também destaca a importância de professores qualificados. “A adesão não deve ser imediata, necessita de análise, testes e também avaliação do custo-benefício, por isso os profissionais de TI devem estar constantemente atualizando-se através de centros de capacitação onde os instrutores sejam principalmente profissionais reconhecidos do mercado TI."
Capacitação é a palavra chave para preencher essas inumeras vagas, prova disso é o aluno de Sistema da Informação, Gabriel de Freitas, contratado pela DBServer por ter concluído um curso de .Net no centro de capacitação T@rgetTrust. “Estava fazendo o curso na T@rgetTrust e foi por causa desse curso que me contrataram”, conta Freitas. Ele destaca o aprendizado na prática. “Algumas tecnologias eu não conhecia, mas o pessoal me ensinou e aprendi rápido. A gente não pode se basear somente naquilo que aprende na faculdade”, destaca Freitas.
Alternativas podem estar dentro das empresas
A Universidade Coorporativa Cigam, foi a solução encontrada pela Rede, porque além de receber a oportunidade de mais conhecimentos, o aluno pode ser contratado pela empresa. Emile Biz conheceu a Universidade e a empresa pela mídia, e resolveu se inscrever para um dos cursos. “Já trabalhava com TI em Caxias do Sul, sou formada em gestão de TI e a Cigam me interessava por estar sempre entre as melhores para se trabalhar, ser uma empresa nacional. Durante o curso me destaquei e fui convidada para trabalhar na empresa. Hoje já sou gerente de contas, cargo que me proporciona muito conhecimento”, diz Emile. No mercado, no entanto, não pode haver acomodação. Depois de já estar com formação e empregado as atualizações têm de ser constantes. “Também estou finalizando minha graduação em administração e sigo com minha pós-graduação. Pretendo continuar minha formação, pois só assim posso almejar cargos maiores, como o de gerente de projetos”, salienta Emile, colaboradora há um ano e meio.
Criada em 2007, a UCC tem grande procura dos profissionais da TI. A iniciativa é pioneira no Brasil e tem gerado bons resultados para a empresa: Segundo Robinson Klein, diretor de Mercado da Cigam, a UCC também acompanhou o crescimento do ensino à distancia e já oferece essa modalidade de curso, alguns até gratuitos. Ações como esta destacam a empresa nacionalmente premiada, em especial pelo cuidado com a qualificação profissional, que faz da CIGAM umas das melhores empresas para se trabalhar.
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